Tudo começou no último dia 27, quando ocorreu a divulgação do primeiro vídeo
Com informações do site Midiamax
A ‘treta’ envolvendo um vendedor ambulante e um vereador de Corumbá ganhou um novo capítulo na tarde desta terça-feira (6). Isso porque a Polícia Civil informou que, após diligências, não foi confirmada a ocorrência de coação, ameaça e entrega de dinheiro por parte de um servidor, conforme havia sido denunciado inicialmente em um vídeo gravado e divulgado nas redes sociais pelo vendedor.
Tudo começou no último dia 27, quando o vereador, que também é proprietário de uma lanchonete na cidade, apareceu em um vídeo em uma discussão com o ambulante. Posteriormente, já no dia 28, o vendedor divulgou um segundo vídeo denunciando que havia sido pressionado a apagar o registro da agressão e também que um policial teria exigido que ele gravasse o vídeo pedindo desculpas.
No entanto, na tarde desta terça-feira, em uma nota oficial, a Polícia Civil informou que não foi constatado por nenhuma testemunha ouvida a ocorrência de coação, ameaça, entrega de dinheiro por parte do servidor ou qualquer outro tipo de direcionamento indevido.
“A gravação do vídeo de retratação de J.E.N. ocorreu na parte externa da delegacia, sem a presença de policiais civis no local, segundo relatos convergentes, e que a quantia de R$ 100,00 (ou R$ 200,00), mencionada por J.E.N., foi entregue por E.M.J., a título de reparação pelos danos à bicicleta e ao isopor, conforme ele próprio declarou em depoimento“, disse trecho da nota.
Ainda, segundo a polícia, há contradições nas versões apresentadas pelo vendedor. “Inclusive quanto ao agente que teria entregue o dinheiro, ao local em que teria ocorrido a suposta coação e à pessoa que teria solicitado a gravação do vídeo“, complementou.
Dois inquéritos
Dois procedimentos distintos foram instaurados para apurar eventuais práticas de vias de fato, dano, injúria e ameaça, e outro para apurar a conduta do servidor público.
“O procedimento de apuração da conduta de servidores policiais civis permanece em andamento, inclusive com a análise de provas digitais e imagens de segurança. Ao final, será elaborado um relatório, o qual será remetido ao Departamento de Polícia do Interior e à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, para avaliação e deliberação”, pontuaram.
Abuso e coação
O vendedor ambulante afirmou que o prejuízo não foi apenas financeiro, mas também sua bicicleta, isopor e sua dignidade. “Tudo foi pelo ralo. Antes eu trabalhava com uma máquina de roçar, que queimou. Vender salgado virou minha segunda opção de renda”, relatou.
Além disso, o vendedor disse que foi pressionado a apagar o registro da agressão que sofreu do vereador. Um policial também teria exigido que ele gravasse um vídeo pedindo desculpas.
“Eu gostaria de dizer que o vídeo que eles me forçaram a fazer, eu pedindo desculpa, foi porque quando eu cheguei na delegacia o policial disse que eu estava errado”, afirmou.
“O policial que mandou apagar o vídeo estava junto com o vereador Elinho. Fui forçado a fazer isso porque eu tenho família”, concluiu o ambulante
Câmara pode investigar o caso
O vereador pode ser investigado pela Câmara de Corumbá após confusão com vendedor de salgados em frente à lanchonete de propriedade do parlamentar. O caso, que teve ampla repercussão, pode resultar na cassação do mandato, caso a Comissão de Ética reconheça que a conduta do vereador feriu as regras da Casa Legislativa.
Ele explicou que o ambulante estaria vendendo salgados e abordando clientes em frente ao comércio dele, que também comercializa lanches e sucos. A confusão ocorreu após a esposa do vereador ir buscá-lo em campo de futebol para retirar o ambulante da calçada. Nas imagens que viralizaram, ela manda o vendedor de salgados apagar os vídeos.
Em nota publicada no dia 29 de dezembro, o presidente da Câmara de Corumbá lamenta o ocorrido e diz estar tomando medidas.
“Em respeito aos cidadãos e cidadãs, [a Câmara] vem a público informar que já está tomando as medidas necessárias em relação aos fatos. Informamos que a Câmara Municipal não compactua com quaisquer atos que violem o respeito mútuo ou a dignidade humana. Diante disso vai ouvir as partes envolvidas e, se necessário, encaminhar o caso à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar para as providências cabíveis”, afirma o texto.
