Estância onde jovens morreram pertence a conselheiro do TCE-MS investigado por corrupção

Propriedade não tem certificado de segurança do Corpo de Bombeiros em vigor

Vinicios Araujo – Midiamax

A estância onde dois jovens morreram após choque em tirolesa, na cidade de Bonito, pertence ao conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado) Waldir Neves Barbosa. A propriedade, que está registrada sob o CNPJ. n° 41.675.508/0002-28, razão social Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda., lista o ex-presidente da Corte de Contas entre os sócios.

Conforme o Corpo de Bombeiros, a estância não tinha Certificado de Segurança atualizado pela corporação. No sábado (21), Pedro Henrique e Gustavo Henrique participavam de casamento no local, quando acabaram eletrocutados ao terem contato com uma tirolesa, que, segundo testemunhas, estava em contato com fiação elétrica precária.

Pedro, que havia descido na tirolesa, levou choque e se afogou. Ele morreu a caminho do hospital, em Bonito. O amigo, Gustavo, faleceu na Santa Casa de Campo Grande — para onde havia sido transferido. Ele tentou salvar Pedro, mas também teve contato com o cabo energizado. Conforme apurado pela reportagem, em uma das vítimas, foram feitas manobras de reanimação por 40 minutos.

“O fio de energia era de um refletor que estava instalado no alto da torre da tirolesa, onde causou descarga elétrica”, explicou uma amiga das vítimas.

A propriedade de Waldir Neves é avaliada em R$ 4,4 milhões. Ele divide a sociedade com Antônio Carlos Pereira Pires da Silva. Outro CNPJ associado, 41.675.508/0001-77, que atua como matriz da empresa, tem a sede localizada em mansão no Residencial Damha, em Campo Grande, de onde Waldir Neves foi despejado por decisão judicial no ano passado.

Ex-proprietários do imóvel levaram à Justiça o calote dado pelo conselheiro, que deixou de pagar parcelas da negociação totalizada em R$ 2.760.000,00. Contudo, acordo entre as partes livrou o conselheiro de deixar o imóvel após compromisso de pagamento de R$ 1,9 milhão restante para quitação.

A casa não foi comprada por Waldir Neves, em sua pessoa física, mas sim pela Wolf Agropecuária, instância onde os jovens morreram eletrocutados.

Investigado por corrupção e lavagem de dinheiro

Waldir Neves, que ocupou a presidência da Corte de Contas por 4 anos, permaneceu afastado por dois anos e cinco meses em decorrência da operação Terceirização de Ouro, da Polícia Federal.

O retorno às funções ocorreu em maio de 2025, após determinação do ministro Alexandre de Moraes. No entanto, o surgimento de novos elementos probatórios motivou o pedido de reconsideração por parte do relator no STJ.

Em 31 de janeiro de 2025, a PGR (Procuradoria-Geral da República) oficializou uma segunda denúncia contra o conselheiro e outros quatro investigados.

A acusação apontou a prática do crime de lavagem de dinheiro por pelo menos nove vezes, entre os anos de 2015 e 2018, período em que o conselheiro chefiou a Corte de Contas. Segundo o órgão ministerial, o grupo atuou de forma deliberada para ocultar a origem de valores provenientes de infrações penais cometidas no âmbito do TCE-MS.

Os fatos foram apurados no Inquérito 1.432, que detalhou a suposta dissimulação de bens e propriedades por parte de Neves e seus assessores. O ministro Francisco Falcão utilizou essa nova investida da PGR para reforçar a necessidade do afastamento cautelar, visando preservar a integridade das investigações.

Atualmente, o conselheiro aguarda o julgamento que decidirá se ele se tornará réu. O pedido de afastamento permanece sob análise no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no STF (Supremo Tribunal Federal), pendente de despacho.