Ex-gerente do BMG é acusado de usar dinheiro de aposentados do INSS para passeio de luxo no Pantanal

O relatório final da CPMI do INSS, apresentado nesta sexta-feira (27) no Congresso Nacional, revelou um caso de uso indevido de recursos que deveriam beneficiar aposentados. Segundo o documento, o ex-gerente do banco BMG, Anderson Ladeira Viana, utilizou valores oriundos de contribuições de beneficiários do INSS para custear despesas pessoais, incluindo um passeio de luxo no Pantanal sul-mato-grossense.

De acordo com o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), apenas a viagem realizada em Corumbá teria custado mais de R$ 112 mil. O passeio envolveu mais de dez pessoas da família de Ladeira, em uma embarcação turística na região.

O relatório aponta ainda que foram identificadas evidências nas redes sociais da empresa responsável pelo serviço. Uma postagem no Instagram mencionaria o nome “Ladeira”, reforçando a ligação entre o ex-gerente e o passeio. Os valores, que somam R$ 112.500,00, foram repassados à empresa Marques e Esquivel Ltda., conhecida como Joice Pesca & Tur, agência de turismo localizada em Mato Grosso do Sul.

Para o relator, o caso levanta sérias suspeitas sobre o uso irregular dos recursos. “Causa particular estranheza o uso dos recursos para pagamentos que fogem por completo à finalidade social de defesa de aposentados”, destacou Alfredo Gaspar no documento.

Além disso, o parlamentar afirmou que o setor de turismo é, historicamente, suscetível à prática de lavagem de dinheiro e ao custeio de despesas pessoais incompatíveis com atividades associativas.

Diante das irregularidades apontadas, o relator solicitou o indiciamento de Anderson Ladeira Viana e de outras 214 pessoas envolvidas no esquema investigado pela comissão parlamentar mista de inquérito.

O caso agora deve seguir para análise dos órgãos competentes, que poderão dar continuidade às investigações e adotar as medidas judiciais cabíveis.