Suspensão de licitação da Fiems é indício de irregularidade e deve ser apurada pelo MP, diz Kemp

Midiamax

Um dia após a Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) suspender licitação para contratar empresa para realizar eventos, o deputado Pedro Kemp (PT) apontou que a suspensão é um possível sinal de irregularidades e deve ser apurada.

O petista é autor de requerimento que cobra explicações da Semadesc sobre repasse de R$ 7 milhões feito à entidade chefiada pelo empresário Sérgio Longen há 19 anos.

Assim, Kemp entende que a licitação suspensa deve ser alvo de investigação. “Está claro que havia intenção de contratar empresa próxima dos diretores da Fiems. Tanto é que suspenderam a licitação”, pontuou.

Conforme reportagem do Jornal Midiamax, a Fiems suspendeu uma licitação que aconteceria nesta quarta-feira (15) para contratação de empresa especializada em realização de eventos. A decisão aconteceu dias após o Jornal Midiamax revelar que, antes de deixar o Governo de MS para concorrer às eleições deste ano, o ex-secretário estadual Jaime Verruck deixou R$ 7 milhões “direcionados” para Federação. Verruck atuou como diretor corporativo da Fiems antes de exercer cargos no Governo do Estado, em 2015.

A suspensão do certame foi marcada por denúncias de empresas que queriam participar da licitação, mas denunciaram indícios de direcionamento do edital.

Deputados podem pedir que MP cobre devolução dos recursos

A bancada do PT aguarda aprovação de requerimento apresentado na sessão de quarta-feira (15) da Alems para receber, em até 15 dias, resposta do governo sobre o convênio.

Depois disso, segundo Kemp — autor do requerimento —, pode haver um pedido para devolução desse recurso: “Nós podemos pedir, através de uma representação do Ministério Público, se realmente ficar claro que o dinheiro repassado não atende ao interesse público, podemos até solicitar a devolução desse recurso para o Estado”, declarou ao Jornal Midiamax.

Fiems suspende licitação após denúncia de direcionamento

A suspeita é de que o certame suspenso tenha sido direcionado, conforme denúncia encaminhada ao Jornal Midiamax.

Isso porque o chamamento público é destinado à contratação de apenas uma empresa. Ou seja, um mesmo participante deve fornecer todos os 44 itens pedidos pela Fiems, em um mesmo lote. O total previsto para o gasto com o certame é de R$ 88,9 mil, mas o número pode ser maior, já que alguns itens pedem mais de uma unidade.

A entidade, comandada pelo empresário Sérgio Longen, quer fornecedor para locação de estruturas, equipamentos de som, iluminação, geradores e material de áudio visual.

Entretanto, três empresas participantes entraram com recursos contra a montagem da disputa com esse ‘pacote’ pedido pela Fiems, conforme o Portal de Compras Eletrônicas.

Segundo empresários que aceitaram conversar com a reportagem, mas não querem se identificar por medo de represália, a manobra na licitação limitaria o número de participantes e comprometeria a competitividade.

Conforme denúncia feita ao Jornal Midiamax, isso favoreceria uma empresa “parceira” da Fiems há 10 anos e que tem suposta relação com membros da diretoria da Federação das Indústrias de MS. De acordo com a denúncia, dois CNPJs supostamente se alternam nos contratos, seguindo orientação de membros da diretoria.

Antes de deixar governo, Verruck destinou R$ 7 milhões à Fiems

Presidente da Fiems, Sérgio Longen, ao lado de Verruck. (Divulgação, Kelly Ventorim)

Apesar de alegar não se enquadrar como organização da Administração Pública, a Fiems recebe recursos públicos, como o repasse de R$ 7 milhões da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) feita pelo ex-secretário Jaime Verruck, ao apagar das luzes da sua saída.

Ele deixou o cargo no governo no dia 1º de abril para concorrer nas eleições deste ano, buscando vaga na Câmara Federal pelo Republicanos.O convênio foi publicado no Diário Oficial do Estado, na sexta-feira (10), sob assinatura de Verruck datada do dia 8, uma semana após sua saída da pasta. Já nesta segunda-feira (13), o Diário Oficial fez nova publicação alegando correção de informação. A diferença entre os documentos é que agora quem assina é o adjunto que assumiu a Semadesc, Artur Henrique Leite Falcette.

Somente neste ano, a entidade deve receber cerca de R$ 60 milhões em recursos públicos.