Cena surreal na estrada: ônibus sem para-brisa circula com motorista de capacete

Da redação

Uma cena tão inusitada quanto perigosa chamou a atenção de motoristas e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) após um ônibus circular por quase 700 quilômetros de rodovias federais sem para-brisa. Para tentar minimizar os riscos, o condutor utilizava capacete e óculos escuros enquanto dirigia o veículo em estado precário.

O motorista foi identificado como Samuel Silva Santos, morador de Barueri, no interior de São Paulo. Em conversa com a PRF, ele afirmou que decidiu seguir viagem mesmo diante das condições inseguras porque não tinha recursos financeiros para arcar com o custo de um guincho. Segundo o relato, o serviço era considerado caro demais para sua atual realidade.

Ainda de acordo com Samuel, a decisão foi tomada por necessidade. Ele declarou que atualmente trabalha de forma informal para garantir a própria sobrevivência e afirmou que, no passado, chegou a ser empresário, com patrimônio superior a R$ 10 milhões. Hoje, segundo ele, o ônibus seria seu único bem. “Peço que a lei leve em conta minha idade e minha idoneidade como cidadão brasileiro”, disse em depoimento aos policiais.

O flagrante mais recente ocorreu na tarde de terça-feira (30), na BR-158, em Paranaíba, a cerca de 408 quilômetros de Campo Grande. O veículo apresentava danos severos: ausência total do vidro frontal, frente bastante avariada, sem para-choque e com faróis comprometidos. Para compensar a falta do para-brisa, o motorista improvisou utilizando capacete e óculos escuros.

Durante a abordagem, os agentes constataram ainda que a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do condutor estava vencida. Samuel informou que havia comprado o ônibus na cidade de Jaciara (MT) e pretendia levá-lo até Barueri (SP).

Apesar das justificativas, a situação não é inédita. Registros oficiais apontam que o mesmo motorista já havia sido abordado pela PRF em abril do ano passado, na BR-262, em Corumbá, quando realizava transporte irregular de passageiros sem autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Na ocasião, cerca de 50 pessoas estavam sendo transportadas, e ele respondeu a um Termo Circunstanciado por exercício ilegal da atividade.

A PRF destacou que o improviso não elimina os riscos. Sem o para-brisa, o motorista fica diretamente exposto a vento, poeira, insetos e detritos lançados por outros veículos, além de ter a visibilidade severamente prejudicada, especialmente em velocidades mais elevadas.

Diante das irregularidades, a viagem foi imediatamente interrompida e o ônibus acabou retido para regularização, com aplicação das medidas administrativas previstas no Código de Trânsito Brasileiro. A corporação não informou se havia passageiros no momento da abordagem.

Embora as imagens tenham viralizado nas redes sociais pelo aspecto quase cômico, a PRF reforça que o caso representa uma conduta extremamente perigosa, sobretudo neste período de fim de ano, quando o fluxo de veículos nas rodovias federais é significativamente maior.