Comércios do Camelódromo de Campo Grande também foram alvos da operação. (Madu Livramento, Midiamax)
Da Redação com informações do Midiamax
A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou na manhã desta quarta-feira (18) a Operação Iscariotes, que resultou na prisão de dois policiais civis em Mato Grosso do Sul. Entre os detidos estão o investigador Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca, ambos capturados em suas residências.
De acordo com as investigações, eles fariam parte de uma organização criminosa que cooptava agentes de segurança pública, incluindo integrantes da Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. O grupo é suspeito de atuar em um esquema de importação ilegal de eletrônicos de alto valor, movimentando cifras milionárias. Como parte das medidas judiciais, cerca de R$ 40 milhões foram bloqueados.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em delegacias e residências, inclusive em um condomínio de alto padrão localizado próximo a um shopping na Capital. Célio Monteiro, que já havia sido alvo de outras operações policiais, possui salário de R$ 14.169,00, conforme o portal da transparência. Já Edivaldo Quevedo, lotado na 5ª Delegacia de Polícia Civil, recebe R$ 14.467,00.
As ações ocorreram em municípios de Mato Grosso do Sul, como Campo Grande e Dourados, além de cidades de Minas Gerais, incluindo Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros, locais que recebiam os produtos contrabandeados.
Durante a operação, quatro pessoas foram presas preventivamente, dois investigados foram afastados de suas funções públicas e 31 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Um dos alvos passou a usar tornozeleira eletrônica, enquanto outros seis tiveram o porte de arma suspenso. Além disso, bens também foram atingidos pelas medidas judiciais: ao menos 10 imóveis e 12 veículos foram sequestrados, e seis empresas tiveram as atividades suspensas.
No Camelódromo da Capital, quatro lojas pertencentes à mesma família foram interditadas por envolvimento no esquema.
As investigações apontam que a organização criminosa importava eletrônicos sem documentação fiscal e sem passar pelos controles aduaneiros. Após a entrada irregular no país, os produtos eram distribuídos de forma clandestina, muitas vezes escondidos em cargas legais e transportados em veículos com compartimentos ocultos.
Ainda segundo a apuração, agentes públicos, tanto da ativa quanto aposentados, atuavam diretamente no esquema, fornecendo informações sigilosas de sistemas policiais e auxiliando no transporte das mercadorias. Ao longo das investigações, diversas prisões em flagrante foram realizadas, inclusive envolvendo a participação direta de policiais.
A operação contou com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.
