Confundido com integrante de facção, morador de Corumbá é sequestrado, torturado e salvo pela PM em Mato Grosso

Um morador de Corumbá, de 27 anos, viveu momentos de terror após ser confundido com integrante de uma facção criminosa em Lucas do Rio Verde (MT). O sul-mato-grossense foi sequestrado, levado para uma área de mata, submetido a uma sessão de tortura e escapou da morte graças à intervenção da Cavalaria da Polícia Militar de Mato Grosso, que localizou o cativeiro e resgatou a vítima.

O caso ocorreu na terça-feira (14). Por motivos de segurança, a identidade do rapaz não será divulgada.

Segundo relato da vítima, ele havia viajado para Mato Grosso na última sexta-feira (10) após conseguir uma oportunidade de emprego em uma empresa da região. Todos os exames admissionais já haviam sido realizados e restava apenas atualizar o cartão de vacinação para iniciar as atividades.

No entanto, ao sair do hotel onde estava hospedado para solicitar um carro por aplicativo, foi abordado por dois homens que começaram a fazer perguntas sobre sua origem e a camiseta que vestia. A estampa, com o símbolo Yin e Yang, teria sido interpretada pelos criminosos como um sinal associado a uma organização criminosa rival.

Em seguida, os suspeitos exigiram acesso ao telefone celular da vítima. Após analisarem conversas e grupos de mensagens, passaram a acusá-lo de integrar uma facção.

Levado para a mata

Ainda nas proximidades do hotel, os criminosos realizaram uma chamada de vídeo com outros integrantes do grupo para decidir o destino do corumbaense. Conforme o relato, a ordem dada durante a conversa foi para levá-lo até uma região de mata.

A vítima foi colocada à força em um veículo e conduzida para uma área próxima à ponte entre Lucas do Rio Verde e Sorriso, onde permaneceu sob o domínio dos criminosos por cerca de três horas.

Durante o período em que ficou em cativeiro, sofreu agressões físicas constantes, foi amarrado e interrogado repetidamente. Os suspeitos insistiam para que ele confessasse ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), embora ele negasse qualquer envolvimento com organizações criminosas.

Além de espancamentos com pedaços de madeira, o jovem sofreu um golpe de faca na perna direita e teve uma das mãos fraturada.

Mesmo quando alguns integrantes concluíram que ele não possuía ligação com facções, a possibilidade de execução continuou sendo discutida pelo grupo. Conforme contou, um dos criminosos chegou a ordenar, por telefone, que ele fosse morto e que o corpo fosse incendiado.

Resgate durante confronto

Enquanto os criminosos decidiam o que fariam com a vítima, equipes da Cavalaria da Polícia Militar receberam informações sobre o sequestro e iniciaram as buscas.

Nas proximidades da ponte, dois adolescentes de 15 anos foram localizados e apreendidos por atuarem como olheiros da organização criminosa.

Ao avançarem pela mata, os policiais foram recebidos a tiros pelos suspeitos, dando início a um confronto. Após a troca de disparos, três envolvidos foram presos.

A vítima foi encontrada ferida, com um corte profundo na perna, diversas lesões provocadas pelas agressões e ao lado de um galão de gasolina, que, segundo ela, seria utilizado para incendiar seu corpo após a execução.

O Corpo de Bombeiros prestou os primeiros socorros e encaminhou o rapaz para atendimento médico.

Retorno para Corumbá

Depois de receber alta, o morador decidiu abandonar a oportunidade de trabalho em Lucas do Rio Verde e retornou para Corumbá.

Ainda abalado, ele afirmou que só sobreviveu graças à rápida ação da Polícia Militar de Mato Grosso.

“Se não fosse a polícia chegar naquele momento, eu não estaria vivo. Agora quero apenas ficar perto da minha família e tentar superar tudo o que aconteceu”, declarou.