Reginaldo Coutinho
O Futebol de Corumbá é feito de capítulos inesquecíveis, e poucos são tão marcantes quanto a conquista do Campeonato Sul-Mato-Grossense de 1984 e o título da Série B de 2006, que marcou o retorno do Corumbaense Futebol Clube à elite estadual após oito temporadas de ausência.
A história da reconquista começou a ser escrita antes mesmo da bola rolar. Em 2004, durante as comemorações dos 20 anos do título estadual de 1984, um movimento ganhou força nos microfones da Rádio Comunitária FM Pantanal 87,9. No programa No Mundo da Bola, conduzido por este colunista, o então presidente Jorge Freitas participou de entrevistas que reacenderam a esperança da torcida e fortaleceram o debate sobre a volta do Corumbaense ao futebol profissional.
O entusiasmo tomou conta da cidade e, em 2005, o clube voltou a disputar a Segunda Divisão do Campeonato Sul-Mato-Grossense. A campanha terminou entre os quatro semifinalistas, mas a expectativa de acesso acabou frustrada diante da mudança nos critérios da competição. Mesmo assim, a diretoria não desistiu do projeto.
Em 2006, o Corumbaense iniciou a temporada com um elenco modesto, formado por atletas da casa e alguns reforços. Os primeiros resultados não foram animadores, e uma derrota expressiva para o União Marambaia, de Bonito, provocou uma profunda reformulação no departamento de futebol.
O técnico Cláudio Mineiro deixou o comando da equipe, dando lugar ao experiente Da Silva, Negão auxiliar técnico, Preparador Físico André, Preparador de Goleiros Zé Ricardo, Massagista Jorge Esker (In Memoria) e o mordomo Puka, Vieram reforços importantes, como Emerson, Thalles, Claudinho, o goleiro Roni, Luiz Carlos e Waldir, elevando o nível técnico do elenco.
O amistoso contra o Flamenguinho, no estádio Piranhão, em Miranda, foi um divisor de águas. A goleada aplicada pelo Corumbaense mostrou que uma nova equipe surgia, pronta para lutar pelo acesso.
emocionante, o Corumbaense buscou o empate por 2 a 2 aos 49 minutos do segundo tempo, com gol de Thalles. O resultado garantiu um ponto precioso, mas o apito final foi seguido por cenas lamentáveis. Integrantes da arbitragem foram perseguidos e, durante a saída da delegação, o ônibus do Corumbaense foi apedrejado. Vidros foram quebrados e membros da delegação ficaram feridos, entre eles o jornalista Marcos Antônio Silvestre, hoje saudosa lembrança da imprensa esportivaSul-mato-grossense.
A rápida ação do motorista e o apoio da Polícia Militar foram fundamentais para garantir a segurança da equipe até a saída de Ivinhema. Um episódio que ficará marcado como um dos momentos mais tristes do futebol sul-mato-grossense, quando a violência tentou superar o esporte.
Passados vinte anos daquela conquista, é justo reconhecer o trabalho coletivo que tornou esse sonho realidade. Os atletas, especialmente os pratas da casa, demonstraram determinação e orgulho em vestir a camisa alvinegra. A diretoria também teve papel decisivo, com destaque para o presidente Jorge Freitas e o diretor de futebol Francisco Vieira Neto (Nikito), que lideraram um projeto responsável e vitorioso, que também teve a participação efetiva do Ex-Prefeito Ruiter Cunha de Oliveira (In Memória), através da FUNEC, do então Diretor Presidente, Prof. Heliney Miranda Junior, incansável no desenvolvimento das Politicas Públicas voltadas para o Esporte que perduram até hoje.
