Ex-presidente é investigado por suposta participação em atos que paralisaram o país por 53 dias e deixaram mortos, prejuízos milionários e crise no abastecimento
O Ministério Público da Bolívia emitiu, nesta quarta-feira (29), um mandado de prisão contra o ex-presidente Juan Evo Morales Ayma. A decisão faz parte da investigação que apura a responsabilidade pelos 53 dias de bloqueios de estradas que atingiram diversas regiões do país entre maio e junho deste ano.
Conforme o documento, Morales é investigado por supostos crimes de levante armado contra a segurança e a soberania do Estado, terrorismo, atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação criminosa, incitação pública ao crime e atentado contra a segurança dos serviços públicos.
O mandado determina que o ex-presidente seja preso e conduzido à Unidade Especializada de Polícia de Combate à Corrupção, onde deverá permanecer à disposição da Justiça boliviana.
A investigação teve início após uma denúncia apresentada pelo Comitê Pró-Santa Cruz, representado por seu presidente, Stello Cochamanidis Garcés. Posteriormente, o processo recebeu uma nova denúncia do Ministério do Governo, por meio do ministro Marco Antonio Oviedo Huerta, reforçando os indícios contra Morales e outros investigados.

Denúncia aponta líderes dos bloqueios
No dia 1º de julho, o Comitê Pró-Santa Cruz formalizou uma denúncia criminal contra Evo Morales, o secretário-executivo da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, e o líder da Federação Camponesa Túpac Katari, Vicente Salazar.
Segundo a entidade, os três foram os principais articuladores dos bloqueios que interromperam rodovias em diferentes regiões do país durante 53 dias.
A equipe jurídica do Comitê informou que a denúncia foi respaldada por seis solicitações formais encaminhadas ao Ministério Público para acelerar as investigações e a emissão dos respectivos mandados de prisão.
País enfrentou mais de 100 bloqueios
Os protestos tiveram maior impacto nos departamentos de La Paz e Cochabamba. Em Santa Cruz, municípios como San Julián, Guarayos e San Germán registraram bloqueios que prejudicaram o escoamento da produção agrícola e comprometeram o transporte de mercadorias entre diferentes regiões da Bolívia.
Mesmo quando os produtores conseguiam retirar a produção das propriedades, o transporte permanecia praticamente inviável devido às interdições nas rodovias.
Durante o auge da crise, a Bolívia contabilizou mais de 100 bloqueios simultâneos, além de confrontos, desabastecimento de alimentos e combustíveis, falta de insumos e uma escalada da tensão social.
De acordo com o Comitê Pró-Santa Cruz, os protestos deixaram 22 mortos e causaram milhões de dólares em prejuízos econômicos, afetando diversos setores produtivos do país.
Evo Morales nega acusações
Morales nega ter incentivado manifestações para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Segundo o ex-presidente, os bloqueios tinham como objetivo pressionar o governo a atender reivindicações dos setores mobilizados.
Entretanto, em uma publicação feita na rede social X, em 24 de maio, Morales afirmou que o presidente teria apenas “dois caminhos” diante da crise: militarizar o país ou convocar eleições nos 90 dias seguintes.
Além deste processo, o ex-presidente também responde a outra investigação na Bolívia relacionada à acusação de suposto envolvimento com uma menor de idade.
Até o momento, Vicente Salazar é a única pessoa presa no âmbito da investigação sobre os bloqueios.
Com informações do jornal El Deber e Terra Notícias.
