Fábio propõe combate implacável à corrupção, plano emergencial e pelotão Maria da Penha

Plano emergencial para resolver os gravíssimos problemas de saúde e acabar com a longa espera que supera uma década por consultas com especialistas, exames médicos e cirurgias é uma das prioridades do advogado Fábio Ricardo Trad (PT), 57 anos. Candidato a governador pela primeira vez propõe o combate implacável contra a corrupção, que sangra os cofres públicos e deixa a população estarrecida com os sucessivos escândalos que sacodem o noticiário.

Ex-deputado federal por três mandatos e ex-presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul), ele quer criar o Pelotão Maria da Penha para combater a violência contra a mulher e o feminicídio. Ele se mostra perplexo com o fato de Mato Grosso do Sul estar entre os estados brasileiros que mais matam mulheres.

Fábio quer implementar um plano emergencial na saúde e segurança. O primeiro visa acabar com o caos da saúde, marcado pelo drama de espera sem fim e escândalos de corrupção. “Vamos implantar a fila transparente e digital, através do número do protocolo, o cidadão, por meio de aplicativo, vai saber o lugar na fila do exame, consulta ou cirurgia eletiva”, detalha.

O objetivo é que o cidadão acompanhe em tempo real o seu lugar na fila e tenha noção do tempo de espera pelo atendimento. “Vai ser rastreável e transparente para evitar fura fila por indicação política ou corrupção, como aconteceu”, explica, fazendo referência da Operação Gutenberg, que prendeu o então coordenador da Central de Regulação, Ed Carlo Britto Burgatt, que cobrava propina e ameaçava deixar o paciente morrer caso a prefeitura não entrasse no esquema de corrupção e desvio de recursos.

O candidato quer implantar centros oncológicos nas quatro maiores regiões para acabar com o drama de pacientes com câncer que são obrigados a se deslocara para tratamento em Cascavel (PR) ou Barretos (SP). O objetivo é acabar com a demora no diagnóstico e no tratamento, que pode salvar vidas. Uma alternativa é contar com a ajuda do Governo Lula (PT) para viabilizar os centros regionais.

Para fixar médicos especialistas no interior, o Governo deverá criar gratificações extras para garantir o atendimento médico mais próximo do paciente. “O diagnóstico mais preciso reduz as demandas para as cidades polos”, frisa.

O candidato propõe a realização de mutirões permanentes para zerar a fila e evitar que os pacientes esperem longos anos por atendimento. “Vamos fazer mutirões permanentes em todos os setores em que a fila não estiver andando”, garante. A Caravana da Saúde chegou a ser implementada na gestão de Reinaldo Azambuja (PL), mas ocorria a cada dois anos.

Feminicídio.

Combater a violência contra a mulher e o feminicídio é outra prioridade absoluta e faz parte do plano de 100 dias. Fábio propõe o Pelotão Maria da Penha, que fará o policiamento ostensivo nas regiões com maior incidência de casos de violência contra mulheres e crianças.

Com base em sugestões de juízes, o candidato a governador propõe a criação de agentes comunitários de proteção e prevenção à violência familiar. Esses profissionais teriam papel semelhante aos agentes comunitários de saúde, mas atuariam com outro foco. Eles teriam o papel de identificar eventuais agressores e atuariam para prevenir feminicídio, por exemplo. “O (Eduardo) Riedel só atende depois que aconteceu (o feminicídio)”, compara.

Também quer que as Delegacias de Atendimento à Mulher funcionem 24 horas. Fábio defende a implantação de DEAMs nas maiores cidades e que as delegacias atuem no registro e no acolhimento das mulheres.

 Auditoria e combate à corrupção

Caso eleito governador, Fábio promete devassa nas contas públicas e auditoria em todos os contratos para ter radiografia real do orçamento e da capacidade de investimento do Estado. “Vamos realizar auditoria total nas contas públicas, contratos e convênios”, promete.

“Vamos promover combater implacável à corrupção”, avisa. Para tirar do papel e acabar com os sucessivos escândalos envolvendo servidores públicos e secretários, ele quer realizar parceria com os promotores do Patrimônio Público para adotar medidas de prevenção.

“Vamos usar a inteligência investigativa para monitorar as secretarias e prevenir os casos de corrupção”, explica Fábio. O objetivo é por fim aos sucessivos escândalos de desvios de recursos em todas as áreas, que vão da saúde, educação e infraestrutura.

“Vamos rever os contratos de isenção e benefícios tributários”, avisa. O objetivo é acabar com os esquemas revelados no passado, como a delação premiada da JBS, de que governadores cobravam propina para conceder incentivo fiscal. Em troca, os acordos não eram cumpridos. O Estado ficava sem o tributo e a população sem os benefícios previstos nos contratos.

“Vamos criar estruturas qualificadas para monitorar a contrapartida social e aqueles que não estão gerando os empregos previstos”, afirma. O petista tranquiliza os empresários que não pretende anular os incentivos previstos, mas apenas cobrar o cumprimento dos acordos firmados.

“Vamos mudar o modelo econômico do Estado para agregar valor aos produtos industrializados”, propõe. A proposta é implementar ações que deixem a economia sul-mato-grossense menos vulnerável ao mercado externo.

Na educação, Fábio não esconde a alegria e o entusiasmo com a proposta de criar a Universidade para o Desenvolvimento do Pantanal, com o objetivo de ter um ponto de pesquisa e estudos do bioma. Ele sonha em contar com pesquisadores do mundo todo para estudar e propor meios de preservar o bioma, considerado patrimônio natural da humanidade pela Unesco.

Para os professores, o candidato não se mostra demogago e promete equiparar de pronto os salários dos convocados e efetivos. “Vamos realizar estudo para equiparar gradativamente os salários dos professores efetivos e temporários”, propõe. Por outro lado, ele garante que a meta será realizar concursos públicos para contratar professores e reduzir ao mínimo possível o número de convocados.

O petista reafirma o compromisso de montar secretariado composto 70% por mulheres. Com a proposta, ele cutuca o atual governador, que conta com apenas uma mulher nomeada nas 14 secretarias. Patrícia Cozzolino de Oliveira no comando da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos. Em Campo Grande, comandada por uma mulher, Adriane Lopes (PP), a prefeitura conta com 15 secretarias e apenas seis mulheres (40%).

Fábio Trad foi o 5º candidato a governador entrevista pelo O Jacaré. Todos foram convidados para divulgar as propostas.