Denúncia envolve servidor de 22 anos e apurações seguem nas esferas administrativa e criminal
O ex-vereador e atual secretário executivo da Juventude de Campo Grande, Paulo Cesar Lands Filho, de 38 anos, solicitou afastamento temporário do cargo na noite de segunda-feira (2), após ser acusado de assédio sexual e estupro de vulnerável contra um servidor municipal de 22 anos. Antes de deixar a função, ele já havia sido transferido para outra pasta dentro da administração.
Em nota oficial, a Prefeitura informou que o pedido de afastamento foi feito pelo próprio secretário, com o objetivo de se dedicar à apresentação de esclarecimentos sobre o caso. O município ressaltou que um processo administrativo está em andamento e que os fatos serão apurados pelas autoridades competentes.
Ainda segundo o comunicado, a administração municipal tomou conhecimento da denúncia envolvendo o servidor acusado de estupro e determinou seu afastamento até a conclusão das investigações.
No fim de semana, Paulo Lands falou com a imprensa e afirmou que pretende apresentar provas para demonstrar sua inocência. Segundo ele, a entrega do material deverá ocorrer nos próximos dias, acompanhado de advogado, diretamente à autoridade policial responsável pelo caso.
Denúncias anteriores e relato da vítima
De acordo com informações registradas, o jovem teria formalizado duas denúncias administrativas antes de ser demitido, no dia 27 de fevereiro. Na mesma data, procurou uma delegacia da Capital para relatar os supostos abusos, que teriam começado em julho de 2025, período em que o acusado era seu superior hierárquico.
O relato aponta que o primeiro episódio ocorreu durante uma carona, quando o então chefe teria tocado o servidor sem consentimento, causando constrangimento. A vítima afirmou não ter reagido devido ao receio da relação de subordinação.
Após o episódio, segundo a denúncia, o acusado teria passado a enviar mensagens com teor sexual por meio de aplicativo de mensagens, insinuando interesse em um relacionamento homoafetivo, mesmo após o jovem afirmar ser heterossexual. As investidas também teriam ocorrido no ambiente de trabalho, com frases de conotação sexual e tentativas de contato físico quando estavam sozinhos.
Suposto abuso após confraternização
Ainda conforme o boletim de ocorrência, no dia 12 de dezembro de 2025, após uma confraternização, o jovem teria aceitado uma carona oferecida pelo chefe. Ele relatou que estava embriagado e precisou de ajuda para entrar no veículo.
Durante o trajeto, o acusado teria sugerido que os dois poderiam “ficar como casal nas férias”. Diante da recusa, segundo a denúncia, o homem teria afirmado que poderia “conseguir qualquer coisa”, por ocupar cargo de chefia.
O servidor contou à polícia que foi levado à residência do acusado, onde teria tido as roupas retiradas sem consentimento e sofrido ato sexual. Ele declarou que não se recorda de todos os detalhes devido ao estado de embriaguez. Ao acordar, estaria sem roupas, sendo abraçado pelo suspeito.
Após o episódio, o jovem afirmou que passou a se sentir monitorado no ambiente de trabalho, embora as mensagens insistentes tenham cessado.
O caso segue sob investigação na esfera criminal, enquanto a Prefeitura mantém procedimento administrativo interno para apurar os fatos.
