Foto: Marcos Maluf (Campo Grande News)
Com a chegada das temperaturas mais baixas, moradores de Campo Grande com sintomas gripais têm buscado atendimento com mais frequência, provocando aumento na demanda em hospitais e postos de saúde. A situação acende um alerta para o crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), comum nesta época do ano e responsável por sobrecarregar o sistema público.
Levantamento do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Campo Grande aponta que, apesar de os números atuais não ultrapassarem os registrados no mesmo período de 2025, já foram contabilizados 548 casos de síndromes respiratórias apenas neste ano na Capital.
Entre os diagnósticos identificados, há predominância de quadros não especificados, além de infecções por rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), influenza A e outros agentes como metapneumovírus, covid-19, adenovírus e influenza B. Parte dos casos ainda segue em investigação.
De acordo com o médico Marcelo Santana Silveira, presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, esse aumento é esperado devido ao comportamento sazonal das doenças respiratórias. “Durante o outono e o inverno, as mudanças de hábito favorecem a transmissão dos vírus”, explica.
Nos dias frios, é mais comum que as pessoas permaneçam em ambientes fechados, com pouca ventilação e maior aglomeração — cenário ideal para a disseminação de infecções. Além disso, práticas de prevenção, como uso de máscaras e higienização frequente das mãos, ainda não fazem parte da rotina da maioria da população.
Crianças lideram número de casos
Os dados também mostram que crianças pequenas estão entre os grupos mais afetados. Dos registros deste ano, 287 envolvem menores de cinco anos. A convivência em ambientes escolares cheios e a dificuldade em manter hábitos rigorosos de higiene contribuem para a maior propagação dos vírus.
Outro ponto destacado pelo especialista é a limitação da estrutura hospitalar. A cidade, que possui cerca de 200 mil crianças e adolescentes, deveria contar com aproximadamente 300 leitos pediátricos. No entanto, atualmente dispõe de apenas um quarto dessa capacidade, o que ajuda a explicar a sensação frequente de superlotação nas unidades de saúde.
Prevenção e cuidados fazem a diferença

Especialistas reforçam que manter hábitos saudáveis é essencial para fortalecer a imunidade. Alimentação equilibrada, consumo de água e higiene adequada são fatores mais eficazes do que o uso indiscriminado de suplementos vitamínicos, que devem ser indicados apenas após avaliação médica.
A vacinação contra a gripe, oferecida pelo Sistema Único de Saúde, também é considerada fundamental para evitar casos graves, devendo ser procurada assim que liberada para todos os públicos.
Entre as principais recomendações para este período estão:
- Proteger as vias respiratórias em dias frios, utilizando máscaras ou agasalhos adequados;
- Manter boa hidratação e realizar higiene nasal com soro fisiológico;
- Evitar atividades físicas intensas em horários muito frios ou secos;
- Manter ambientes ventilados e limpos, sem acúmulo de poeira;
- Evitar exposição a fumaça e agentes irritantes;
- Seguir corretamente o tratamento em casos de doenças crônicas, como asma e rinite.
Em situações de alerta, como falta de ar, febre persistente, dor no peito ou chiado intenso, a orientação é buscar atendimento médico imediato.
