Da Redação
A inauguração do novo estacionamento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, realizada nesta quarta-feira (20), reacendeu o debate sobre os altos investimentos públicos em obras administrativas enquanto áreas essenciais, como educação, seguem enfrentando demandas estruturais em diversas cidades do Estado.
A obra, anunciada pela presidência da Casa como parte de um projeto de modernização do Legislativo estadual, já consumiu R$ 44.417.315,38 em recursos públicos. O contrato inicial, firmado em março de 2024, previa gasto de R$ 34,3 milhões, mas três termos aditivos elevaram o custo em pouco mais de R$ 10 milhões — aumento de aproximadamente 29%.
Conforme dados do Portal da Transparência da Alems, os acréscimos ocorreram em três etapas: o primeiro aditivo somou R$ 1,95 milhão; o segundo, R$ 1,44 milhão; e o terceiro adicionou mais R$ 6,62 milhões ao contrato. A empresa responsável pela obra é a Concrelaje.
O estacionamento já possuía 250 vagas e, após a ampliação, passou para 600. Na prática, as 350 novas vagas representam um custo superior a R$ 120 mil por unidade.
Durante a inauguração, o presidente da Assembleia, Gerson Claro, afirmou que o valor contratado teria sido de R$ 38 milhões, embora os documentos oficiais indiquem R$ 34,3 milhões no contrato original. Posteriormente, a Secretaria de Infraestrutura da Casa informou que parte do aumento corresponde a reajustes anuais previstos contratualmente e sustentou que os aditivos efetivos representam 22,1% do valor inicial.

Quanto daria para construir em escolas?
O valor investido apenas no estacionamento da Alems chama atenção quando comparado a obras educacionais recentes realizadas em Mato Grosso do Sul e em outros estados brasileiros.
Com base em contratos públicos atuais, escolas municipais e estaduais de porte médio têm custo estimado entre R$ 4 milhões e R$ 8 milhões, dependendo da estrutura, quantidade de salas, quadra coberta e laboratórios.
Considerando uma média de R$ 5 milhões por unidade escolar moderna, os R$ 44,4 milhões empregados no estacionamento seriam suficientes para construir aproximadamente:
- 8 escolas de porte médio completas; ou
- até 11 escolas menores em municípios do interior.
Já em modelos mais robustos, semelhantes a centros educacionais com quadra e estrutura ampliada, o valor ainda permitiria a construção de cerca de 5 novas unidades escolares.
Além disso, especialistas em gestão pública costumam apontar que obras educacionais têm impacto social direto e permanente, principalmente em regiões periféricas e cidades menores que enfrentam déficit de vagas, prédios antigos e estruturas improvisadas.
Projeto ainda prevê plenário de R$ 102 milhões
O estacionamento faz parte de um pacote de obras mais amplo idealizado pela atual gestão da Assembleia. O próximo passo será a construção de um novo plenário e bloco administrativo, orçado em R$ 102.434.406,83.
O empreendimento será executado pelo Consórcio Novo Plenário, formado pelas empresas Paulitec Construções Ltda. e Tecnoedil S.A. Constructora, do Paraguai.
Segundo o projeto, a nova estrutura terá mais de 11 mil metros quadrados de área construída, incluindo estacionamentos subterrâneos, galerias públicas, estúdios de transmissão, salas técnicas e setores administrativos.
Somando o estacionamento e o novo plenário, os investimentos previstos pela Alems ultrapassam R$ 146 milhões em recursos públicos. Com esse montante, seria possível construir entre 18 e 30 escolas públicas, dependendo do padrão das obras adotadas pelos municípios ou pelo Governo do Estado.

Imagens: Site Midiamax e ALMS
