Operação realizada pelo Instituto Homem Pantaneiro contou com apoio da Marinha do Brasil para garantir o funcionamento do Sistema Pantera, que monitora mais de 1 milhão de hectares no Pantanal
O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) concluiu nesta semana uma importante ação de manutenção em uma das torres do Sistema Pantera, instalada na Serra do Amolar, região considerada estratégica para a conservação ambiental no Pantanal. A operação, realizada na quarta-feira (3), teve o apoio da Marinha do Brasil e buscou assegurar o funcionamento contínuo da estrutura responsável pela detecção precoce de incêndios florestais.
Durante os trabalhos, foram substituídas quatro baterias que alimentam os equipamentos da torre. Os dispositivos garantem energia permanente às câmeras de monitoramento, que operam ininterruptamente e são capazes de identificar sinais de fumaça poucos minutos após o surgimento de um foco de calor.
A ação exigiu uma complexa logística devido ao difícil acesso à região. Sem o apoio aéreo da Marinha, o deslocamento até o local demandaria cerca de três dias por vias terrestre e fluvial, além do transporte manual de mais de 120 quilos de equipamentos por uma trilha em área montanhosa.

De acordo com o presidente do IHP, Ângelo Rabelo, a parceria entre instituições é essencial para fortalecer as ações de prevenção no Pantanal. Segundo ele, a rapidez na identificação dos focos de incêndio permite uma resposta mais eficiente, reduzindo as chances de que pequenos incidentes evoluam para grandes queimadas.
Criado pela startup Um Grau e Meio, o Sistema Pantera é considerado uma das mais avançadas ferramentas de monitoramento ambiental do bioma. A tecnologia acompanha uma área superior a 1 milhão de hectares, identificando fumaça em estágio inicial e emitindo alertas automáticos para a central do IHP, que pode mobilizar imediatamente a Brigada Alto Pantanal.
Os avisos gerados pelo sistema são compartilhados com diversas instituições de combate e prevenção, entre elas os Corpos de Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o Prevfogo/Ibama, o Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, a Armada Boliviana, produtores rurais e moradores de regiões isoladas.
Além de atender áreas brasileiras, o monitoramento alcança territórios da Bolívia, incluindo a Área de Manejo Integral San Matías, considerada relevante para a preservação da biodiversidade. Na região da Serra do Amolar, os projetos desenvolvidos pelo IHP já registraram mais de 200 espécies da fauna pantaneira e contribuíram para estudos voltados à conservação da vegetação nativa.
Paralelamente à manutenção da torre, brigadistas realizaram serviços preventivos na região, incluindo a construção de aceiros e a limpeza da área destinada ao pouso da aeronave utilizada na operação.
As ações fazem parte de um trabalho permanente desenvolvido pela Brigada Alto Pantanal desde o início do ano. Em 2026, já foram implantados mais de 33 quilômetros de aceiros em pontos considerados prioritários, além de atividades de apoio às comunidades e escolas rurais da região.
A manutenção ocorre em um momento de preocupação crescente com as condições climáticas previstas para os próximos meses. Estudos recentes apontam elevada probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre agosto e outubro, cenário que pode favorecer temperaturas mais altas, redução da umidade do ar e aumento do risco de incêndios no Pantanal durante o segundo semestre.
Especialistas alertam que a combinação entre calor intenso e estiagem prolongada poderá ampliar os desafios para a conservação do bioma, reforçando a importância de investimentos em monitoramento, prevenção e resposta rápida aos focos de incêndio.
