Nascido em Corumbá, Alcides Bernal foi o primeiro prefeito cassado de Campo Grande e estava preso por homicídio

Natural de Corumbá, o ex-prefeito de Campo Grande Alcides Jesus Peralta Bernal morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, na Santa Casa de Campo Grande. Ele estava preso preventivamente desde março deste ano, acusado de matar a tiros o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Nas últimas semanas, Bernal enfrentava graves problemas cardíacos e voltou a ser internado após passar mal no presídio, mas não resistiu. 

Advogado, radialista e político, Bernal iniciou sua carreira pública como vereador de Campo Grande, sendo eleito para dois mandatos consecutivos. Em 2010, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul como deputado estadual. Dois anos depois, alcançou o maior cargo de sua trajetória política ao vencer as eleições para a Prefeitura de Campo Grande.

Na disputa de 2012, derrotou o candidato Edson Giroto no segundo turno com 62,55% dos votos válidos, encerrando um longo período de domínio político na Capital sul-mato-grossense. 

Sua gestão, porém, foi marcada por intensa instabilidade política. Em 2014, tornou-se o primeiro prefeito cassado da história de Campo Grande, após decisão da Câmara Municipal. A cassação foi posteriormente questionada na Justiça e, em 2015, Bernal retornou ao comando da prefeitura por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, concluindo o mandato. 

Após deixar o Executivo, tentou retornar à política, mas não voltou a conquistar cargos eletivos.

Prisão por assassinato

Em março deste ano, Alcides Bernal foi preso preventivamente após a morte do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini. Segundo a investigação, a vítima havia adquirido judicialmente um imóvel que pertencia ao ex-prefeito e foi ao local acompanhada de um chaveiro para tomar posse da residência, quando acabou sendo baleada. Bernal alegou legítima defesa, versão que passou a ser investigada pela Polícia Civil. Desde então, permanecia custodiado no Presídio Militar Estadual Fidelcino Rodrigues. 

A morte de Bernal encerra uma das trajetórias políticas mais controversas de Mato Grosso do Sul, marcada por uma ascensão meteórica, disputas judiciais, o retorno ao cargo de prefeito e, por fim, a prisão por um caso de homicídio que ainda aguardava julgamento.