O ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) foi preso neste domingo (2) pela polícia da Bolívia. Ele estava foragido da Justiça brasileira desde julho de 2026 e era considerado um dos alvos procurados pelas autoridades, estando prestes a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar e prender foragidos em diversos países.
De acordo com informações preliminares, Neno Razuk foi abordado por policiais bolivianos e apresentou uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) como documento de identificação. Durante a checagem, foi constatada a existência de um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça brasileira, relacionado a uma investigação sobre exploração do jogo do bicho. Diante da confirmação, ele recebeu voz de prisão.

A defesa do ex-parlamentar informou que, até o momento da divulgação da prisão, ainda não havia recebido informações oficiais sobre o procedimento adotado pelas autoridades bolivianas.
Agora, Neno deverá permanecer sob custódia enquanto são realizados os trâmites para sua transferência ao Brasil, procedimento que normalmente ocorre com a atuação da Polícia Federal e das autoridades responsáveis pela cooperação internacional entre os dois países.
Operação Successione
O nome de Neno Razuk passou a figurar nas investigações em dezembro de 2023, quando o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, deflagrou a Operação Successione, voltada ao combate a uma organização criminosa investigada por controlar a exploração do jogo do bicho em Campo Grande.
Na primeira fase da operação, dez pessoas foram alvo de medidas judiciais, entre elas o então deputado estadual.
Segundo o Gaeco, as investigações tiveram início após uma série de roubos de malotes pertencentes a grupos rivais que atuavam na exploração do jogo ilegal. Três boletins de ocorrência foram registrados e, em dois deles, as vítimas reconheceram um sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul como um dos autores dos assaltos.
Na época, Neno Razuk negou qualquer participação no esquema.
“Tenho certeza de que não tenho nenhum envolvimento com essa atividade. Acordei com essa surpresa. Tenho certeza de que quando essa investigação acabar, vai ser mostrado que não tenho nenhum envolvimento”, declarou o então deputado.
Organização criminosa
De acordo com o Ministério Público, a organização investigada utilizava violência e intimidação para ampliar o controle sobre a exploração do jogo do bicho em Campo Grande, mesmo após a apreensão de cerca de 700 máquinas durante uma operação realizada em outubro de 2023, no bairro Monte Castelo.
Ainda conforme as investigações, o grupo seria composto por policiais militares da reserva e um ex-policial militar, que utilizariam sua condição funcional e o porte de armas de fogo para impor domínio sobre a atividade ilegal.
A Operação Successione teve novas fases em dezembro de 2023 e janeiro de 2024, com o cumprimento de novos mandados de prisão e busca e apreensão. Em uma dessas etapas, um dos investigados foi preso sob suspeita de utilizar os nomes do então governador de Mato Grosso do Sul e do secretário estadual de Justiça e Segurança Pública para aplicar golpes.
Com a prisão de Neno Razuk em território boliviano, as autoridades brasileiras agora aguardam a conclusão dos procedimentos legais para que o ex-deputado seja transferido ao Brasil e fique à disposição da Justiça.
