Logo após assumir a presidência da Santa Casa de Campo Grande, a advogada Alir Terra Lima, comprou um sobrado na Vila Esplanada, em Campo Grande, com o pagamento de R$ 400 mil em espécie, aponta denúncia do Ministério Público Estadual.
No mesmo período, o sócio, o advogado Paulo da Cruz Duarte, comprou dois apartamentos em área nobre da Capital. O primeiro tinha duas vagas na garagem. O segundo imóvel, localizado no edifício de luxo no Bairro Santa Fé, tinha três vagas na garagem.
“Os documentos cartorários examinados até o presente momento ainda não representam a totalidade das operações patrimoniais realizadas pelos envolvidos. Mesmo assim, dois casos demonstram a relevância do cruzamento entre os pagamentos efetuados pela operadora e a evolução patrimonial das pessoas que estruturaram e viabilizaram as contratações fraudulentas”, aponta o documento assinado pelos promotores de Justiça Adriano Lobo Viana de Resende, Humberto Lapa Ferri, Luciano Bordignon Conte e Jorge Ferreira Neto Júnior.
O caso de Alir Terra é mais emblemático porque ela usou dinheiro vivo para pagar uma mansão no Bairro Monte Castelo. De acordo com o MPE, em 20 de março de 2025, dois anos após assumir a presidência da Associação Beneficente de Campo Grande, ela pagou com dinheiro vivo um sobrado de 340 metros quadrados, com três salas. Foram R$ 400 mil.
Um pouco antes, em julho de 2021, ela tinha comprado outra casa, por R$ 450 mil. O pagamento foi feito por três transferências bancárias, de R$ 22,5 mil, R$ 31,5 mil e R$ 396 mil.
Advogado também compra imóveis
Logo após passar a ter os contratos milionários com a Santa Casa de Campo Grande, o sócio de Alir Terra no escritório, Paulo da Cruz Duarte também passo a investir em imóveis.
Logo após constituir a empresa Duarte Soluções Creditícias, em 1º de fevereiro de 2023, o empresário passou a comprar imóveis. O primeiro foi um apartamento de 77,4 metros quadrados no Edifício Pernambuco, com duas vagas de garagem. Ele e a esposa, Jhenifer Paula Lopes Duarte, pagaram R$ 350 mil.
No dia 20 de março de 2025, o casal foi às compras novamente e pagou R$ 670 mil no apartamento de 166 m² no Edifício Tom Jobim, no Bairro Santa Fé. O local tinha três vagas de garagem. Foram 12 parcelas de R$ 50 mil e mais duas.
No mesmo período, a Santa Casa passou a pagar R$ 557 mil por mês em um dos contratos da empresa de Duarte. Apenas esse contrato viabilizou o repasse de R$ 5,5 milhões no ano passado.
“Assim, a análise preliminar revela que a ampliação patrimonial de PAULO DA CRUZ DUARTE e ALIR TERRA LIMA ocorreu paralelamente à constituição das empresas, à celebração dos contratos e à transferência de valores milionários pela Santa Casa Saúde”, apontam os promotores.
“Enfim, está-se diante de organização criminosa estruturada, com comando definido, divisão de tarefas, estabilidade e finalidade econômica. Os fatos demonstram a prática coordenada de fraudes contratuais, peculato e falsidade documental, além das demais infrações que vierem a ser comprovadas pela análise completa dos documentos, dispositivos eletrônicos e movimentações financeiras”, destacaram.
Alir foi presa na sexta-feira (11) com a deflagração da Operação Antidotum. Paulo da Cruz Duarte foi alvo de mandados de busca e apreensão.
