Operação Jaguaretê Oeste já causa prejuízo de R$ 2 milhões ao crime organizado na fronteira de Corumbá

Ações do Exército intensificaram fiscalização terrestre e fluvial e resultaram na apreensão de drogas, armas, munições e veículos na região

As ações da Operação Jaguaretê Oeste, coordenadas pelo Comando Militar do Oeste (CMO), já provocaram um prejuízo estimado em R$ 2 milhões ao crime organizado na região de fronteira entre Corumbá e a Bolívia desde o início da operação, em junho deste ano.

O balanço foi apresentado na quinta-feira (27), durante uma visita operacional realizada pelo Exército Brasileiro nas instalações da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, em Corumbá. Jornalistas de Corumbá e Campo Grande acompanharam a programação e conheceram parte das estratégias utilizadas pelas tropas no combate aos crimes na faixa de fronteira.

A operação busca reforçar o controle das áreas de fronteira com países vizinhos, incluindo Bolívia, Paraguai e Argentina, por meio de patrulhamento terrestre e fluvial, postos de bloqueio, fiscalização de veículos e embarcações e utilização de tecnologia para monitoramento.

Entre os principais alvos estão as rotas utilizadas pelo tráfico de drogas. De acordo com o balanço apresentado, as apreensões na área de atuação da 18ª Brigada incluem pasta base de cocaína, skunk, conhecida como “supermaconha”, e haxixe.

Fiscalização também ocorre pelos rios

Durante a visita, a comitiva acompanhou uma operação de fiscalização fluvial no Rio Paraguai. A equipe embarcou no navio “Ferryboat”, no Porto Geral de Corumbá, para conhecer os procedimentos realizados pelos militares.

As tropas utilizam embarcações para patrulhar rios e canais considerados estratégicos para a circulação entre a Bolívia e o Brasil. Durante a atividade, uma pequena embarcação procedente da Bolívia foi abordada pelos militares no Canal do Tamengo, importante via de ligação entre os dois países e corredor de acesso ao Oceano Atlântico.

O comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, general de brigada Rafael Novais da Conceição, destacou a capacidade de atuação das tropas nos diferentes ambientes da região.

Segundo ele, a possibilidade de atuar tanto nos rios quanto em áreas terrestres amplia a capacidade de fiscalização, especialmente em uma região de fronteira com características geográficas complexas.

Operação chega às “cabriteiras” e à BR-262

Além dos rios, a fiscalização ocorre em rodovias e estradas vicinais utilizadas para tentar escapar dos pontos oficiais de controle. Essas rotas, conhecidas como “cabriteiras”, são consideradas estratégicas para o combate ao crime organizado.

Na BR-262, principal ligação de Corumbá com o restante do país, um dos pontos de fiscalização é o posto Lampião Aceso. No local, veículos e ônibus são abordados e passageiros passam por procedimentos de revista.

A fiscalização conta ainda com o apoio de cães farejadores treinados para localizar drogas e outros materiais ilícitos.

O Exército também emprega viaturas blindadas Guarani, embarcações e equipamentos do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). Novos equipamentos de comunicação e comando e controle também foram apresentados durante a visita.

R$ 65 milhões em prejuízos em toda a área da operação

O chefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Oeste (CCOp/CMO), general de divisão Marcelo Zanon Harnisch, explicou que a Operação Jaguaretê Oeste possui uma característica própria por ser conduzida pelo Exército Brasileiro, com atuação integrada com órgãos de segurança pública.

Segundo o general, a operação se estende por uma extensa faixa de fronteira, desde a divisa de Mato Grosso com Rondônia, passando por Mato Grosso do Sul e chegando a áreas de fronteira no Paraná e em Santa Catarina.

Em toda essa região, o prejuízo estimado ao crime organizado já chega a aproximadamente R$ 65 milhões.

O balanço geral aponta ainda a apreensão de cerca de 12 toneladas de materiais ilícitos, principalmente drogas. Também foram apreendidas armas, munições e veículos, além de prisões de pessoas apontadas como envolvidas com o narcotráfico.

Mais de 600 militares mobilizados

A Operação Jaguaretê Oeste conta com mais de 600 militares, além do apoio de instituições parceiras. A estrutura empregada inclui viaturas, embarcações e sistemas tecnológicos destinados ao monitoramento e fiscalização da extensa faixa de fronteira.

Em Corumbá, a operação ganha importância estratégica diante da localização do município, que faz fronteira com a Bolívia e está inserido em uma das principais rotas de ligação entre o país vizinho e o restante do território brasileiro.

A atuação integrada nos rios, rodovias, estradas vicinais e áreas de fronteira tem como objetivo dificultar a movimentação de organizações criminosas e ampliar o controle sobre os principais corredores utilizados para o transporte de drogas e outros ilícitos.