Farsa macabra no Pantanal: primos matam funcionário de fazenda e penduram corpo em árvore para simular suicídio

Catalino Isabralde da Silva, de 29 anos, foi encontrado morto em uma fazenda na região do Nabileque, a 180 quilômetros de Corumbá; suspeitos confessaram participação no crime após contradições levantarem suspeitas da Polícia Militar Rural.

Uma suposta tentativa de suicídio escondia um crime brutal no Pantanal de Corumbá. Dois homens, de 40 e 37 anos, foram presos em flagrante na quinta-feira (15), suspeitos de matar o funcionário de fazenda Catalino Isabralde da Silva, de 29 anos, e depois pendurar o corpo em uma árvore para tentar encobrir as circunstâncias da morte.

O caso ocorreu em uma propriedade rural na região do Nabileque, a aproximadamente 180 quilômetros de Corumbá. Inicialmente, a ocorrência foi comunicada ao Batalhão de Polícia Militar Rural como uma possível morte por suicídio. No entanto, sinais de violência encontrados dentro da residência e contradições nas versões apresentadas pelos envolvidos levaram os policiais a aprofundar as averiguações.

Manchas de sangue levantaram suspeitas

Ao chegarem à fazenda, os policiais encontraram os dois homens, que são primos, na área externa da propriedade. Eles afirmaram que Catalino teria apresentado comportamento alterado durante a noite, falado sobre espíritos e mencionado a intenção de tirar a própria vida.

Conforme a primeira versão apresentada à equipe, a vítima teria ficado sozinha em uma casa, enquanto os dois homens dormiam em outro imóvel, a cerca de 50 metros de distância.

Os suspeitos relataram que, por volta das 5h, retornaram e encontraram Catalino ainda com vida, ensanguentado e segurando uma faca. Depois, teriam saído para buscar um trator e, ao voltarem, encontrado o funcionário pendurado em uma árvore.

Entretanto, a cena encontrada pelos policiais levantou dúvidas sobre a história. Dentro da residência, havia manchas de sangue na sala e na varanda, além de uma faca caída no chão. Nos fundos do imóvel, o corpo de Catalino estava suspenso por uma corda.

Outro detalhe chamou a atenção da equipe: o comportamento de um dos suspeitos, de 40 anos, que demonstrou nervosismo durante os questionamentos.

Durante a verificação de duas malas que estavam na casa, os policiais encontraram roupas molhadas e uma calça jeans com uma mancha de aspecto incomum. Diante das suspeitas, o homem foi colocado no compartimento destinado a presos da viatura, por segurança, até a chegada da Polícia Civil e da Perícia Científica.

Suspeito confessa o crime

Com a chegada dos investigadores e da equipe pericial, os procedimentos de apuração foram iniciados. Na presença de um responsável pelos funcionários da fazenda e de um policial, o homem que estava na viatura confessou ter cometido o crime.

Segundo o relato apresentado à polícia, Catalino teria entrado durante a noite no quarto onde os primos estavam, após arrombar a porta e portando uma faca.

O suspeito afirmou que conseguiu tomar a arma da vítima e desferiu um golpe em seu pescoço. Catalino teria corrido até a sala, onde caiu próximo à porta que dava acesso à varanda.

Ainda conforme a confissão, os dois homens acreditaram que a vítima estava morta e, por volta da meia-noite, arrastaram o corpo até a varanda.

Na sequência, teriam decidido simular um suicídio para ocultar o que realmente havia acontecido. O corpo foi levado até uma árvore próxima à residência e colocado em suspensão com uma corda.

Primo também admite participação

O segundo homem, de 37 anos, inicialmente negou envolvimento no crime. Ao ser informado sobre a confissão do familiar, teria demonstrado incredulidade, mas posteriormente admitiu que o primo havia cometido o homicídio e reconheceu sua própria participação no caso.

A Perícia Científica realizou os levantamentos necessários na propriedade e recolheu a faca e outros objetos que poderão contribuir para o esclarecimento dos fatos.

Após as diligências iniciais, os dois suspeitos receberam voz de prisão e foram encaminhados em viaturas da Polícia Militar Rural e da Polícia Civil para a 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá.

O caso segue sob investigação para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Catalino e reunir os elementos necessários à apuração das responsabilidades criminais.