Mãe de bebê que morreu em Corumbá é liberada, mas segue investigada por suspeita de maus-tratos

Polícia Civil aguarda laudos, depoimentos e perícia para esclarecer as circunstâncias da morte da criança, de dois meses e 13 dias

A mãe da bebê de dois meses e 13 dias que morreu nesta terça-feira (6), em Corumbá, foi liberada após prestar esclarecimentos à Polícia Civil. Apesar disso, ela continuará sendo investigada dentro da hipótese de maus-tratos seguidos de morte, conforme informou o delegado Fillipe Izídio ao Diário Corumbaense.

Segundo o delegado, há elementos que despertaram suspeitas e justificam o aprofundamento da apuração, mas, neste momento, não existem elementos suficientes para determinar uma prisão em flagrante.

“Há fortes indicativos disso, então é necessária uma investigação mais aprofundada. Ela foi liberada, mas a investigação continua com a mesma hipótese inicial”, explicou o delegado.

Bebê chegou sem sinais vitais à UPA

A criança foi levada pela própria mãe à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Guatós, por volta das 8h20, já sem sinais vitais. A equipe médica realizou procedimentos de reanimação, mas não conseguiu reverter o quadro.

Conforme o boletim de ocorrência nº 4193/2026, durante o atendimento foram identificados sangramento na cavidade oral da bebê e uma mancha de sangue na parte frontal do moletom que ela vestia, na região do tórax.

Um exame de raio-X não apontou lesões corporais aparentes. O registro policial também menciona dúvidas relacionadas ao intervalo entre o momento da morte e a chegada da criança à unidade de saúde.

Relato da mãe

Aos policiais militares que atenderam a ocorrência, a mãe relatou que havia acordado por volta das 5h para realizar afazeres domésticos, enquanto a filha permanecia dormindo.

Segundo o relato, por volta das 6h ela teria saído até a residência de um vizinho. Ao retornar, percebeu que a bebê estava fria e não respondia aos estímulos.

Diante da situação, pediu ajuda e levou a criança até a UPA.

Ainda segundo o registro policial, estavam na residência a mãe, três filhos menores de idade, dois sobrinhos com menos de 12 anos e outro sobrinho maior de 18 anos.

Perícia foi realizada na residência

Após a morte, a Polícia Civil realizou perícia na residência onde a bebê estava antes de ser levada para atendimento médico. O objetivo é identificar possíveis vestígios que possam contribuir para esclarecer o que aconteceu.

A investigação ainda aguarda uma série de procedimentos antes que seja possível determinar a causa e as circunstâncias da morte.

O delegado Fillipe Izídio informou que serão aguardados o laudo da perícia no local, o exame necroscópico e os depoimentos de testemunhas e vizinhos.

“Serão aguardados o laudo de local, o exame necroscópico, ouvidas testemunhas, os vizinhos, enfim. O Conselho Tutelar certamente terá que atuar também”, afirmou.

A Polícia Civil mantém a investigação em andamento e, até o momento, não há conclusão sobre a responsabilidade pela morte da bebê. A hipótese de maus-tratos é uma das linhas investigativas e poderá ser confirmada ou descartada após a análise dos laudos e demais elementos reunidos durante a apuração.